MARACATU - O Esplendor dos Orixás quando Anoitece na Periferia
Ah Cidade sem ladeiras, sabe Olorum o que faz! Imagina se fossem íngremes teus caminhos de onde estou pra onde fincaram a maioria de teus maracatus? Por aqui as loas não rolam ruas abaixo, mas como lavam as angustias represadas pelo dia-a-dia. O Maracatu na periferia é um ponto que balança equilibrando tradição e renovação para que A MEMÓRIA NEGRA conte a história do tempo. O Maracatu é o sol se pondo e a noite imprimindo na pele dos que brincam – ainda que na fantasia de um carnaval – a cor de um tambor tribal. É o maracatu a longa noite iluminando as cabeças que saem das cabaças para compreender a longevidade sonora dos tambores. O maracatu em você Fortaleza corre pelas beiradas e arrasta uma negrada que parece silenciosa. No entanto esse silêncio soa e se esbalda na oralidade dos orikis. E os mais antigos nas comunidades ditas carentes esbanjam essa sapiência pelos poros.
Ainda bem que eu não sei em quantos palmos o seu clitóris foi dividido, meu bem. Sei que quando adentro em cada um deles me reconheço nessa festa que passou pelo GRIOT DO MEU AVÔ e desaguou na cor do meu tambor. As partes íntimas dessa cidade são que nem a palma das mãos dos ogans e sua relação orgânica com os tantãs. Por isso que na periferia, Fortaleza, exista ou não a compreensão da preservação, aquele chão só pode ser sagrado. O reino dos orixás tem endereço e se identifica plenamente, principalmente quando a noite vem. Em Fortaleza as noites da periferia são mais negras. Nelas os tambores que magnificaram meus erês na avenida, agora dão vida a outras entidades. Nessas comunidades – ápice do meu entusiasmo – o bater tambor é louvação a Xangô ou licença de Exu. Mesmo que o toque seja apenas um ensaio de maracatu. Saiba ou não da procedência dessa história, a periferia – resistente - toca e atualiza a memória de uma cultura afrodescendente.
Essa é uma narrativa que nunca termina. Filho do meu filho, gestamos e parimos mais um na boquinha da noite. Mais uma boca pra falar, contar e alimentar essa tradição que se renova DINAMICAMENTE. Um maracatuzinho de erês é para que os porquês fluam por uma oralidade que se sustenta. Um maracatuzinho é somente o resultado de uma semente em solo fértil, pronto para encorpar no fundo da alma a palma da mão nos tantãs. O griot que encantou o meu avô, já sabia que o filho do meu filho teria cor de tambor. Mais um maracatuzinho de erês na periferia, somente porque é aí cidade que a minha verdade dialoga com você. Um maracatuzinho, sempre as sextas, à boquinha da noite pra minha alegria, num pedaço qualquer da periferia. Laroiê!
Ainda bem que eu não sei em quantos palmos o seu clitóris foi dividido, meu bem. Sei que quando adentro em cada um deles me reconheço nessa festa que passou pelo GRIOT DO MEU AVÔ e desaguou na cor do meu tambor. As partes íntimas dessa cidade são que nem a palma das mãos dos ogans e sua relação orgânica com os tantãs. Por isso que na periferia, Fortaleza, exista ou não a compreensão da preservação, aquele chão só pode ser sagrado. O reino dos orixás tem endereço e se identifica plenamente, principalmente quando a noite vem. Em Fortaleza as noites da periferia são mais negras. Nelas os tambores que magnificaram meus erês na avenida, agora dão vida a outras entidades. Nessas comunidades – ápice do meu entusiasmo – o bater tambor é louvação a Xangô ou licença de Exu. Mesmo que o toque seja apenas um ensaio de maracatu. Saiba ou não da procedência dessa história, a periferia – resistente - toca e atualiza a memória de uma cultura afrodescendente.
Essa é uma narrativa que nunca termina. Filho do meu filho, gestamos e parimos mais um na boquinha da noite. Mais uma boca pra falar, contar e alimentar essa tradição que se renova DINAMICAMENTE. Um maracatuzinho de erês é para que os porquês fluam por uma oralidade que se sustenta. Um maracatuzinho é somente o resultado de uma semente em solo fértil, pronto para encorpar no fundo da alma a palma da mão nos tantãs. O griot que encantou o meu avô, já sabia que o filho do meu filho teria cor de tambor. Mais um maracatuzinho de erês na periferia, somente porque é aí cidade que a minha verdade dialoga com você. Um maracatuzinho, sempre as sextas, à boquinha da noite pra minha alegria, num pedaço qualquer da periferia. Laroiê!




