Tambor Tribal vem Trazer a Loa que da Periferia Soa pelos Erês
Fortaleza customizada, a cidade varrida pelo surrupio de muita infância e adolescência que não conheceu e só perdeu o TEMPO DO BRINQUEDO. Que degredo de medo maior uma cidade pode impor à sua próxima geração desencantada. Sim, Fortaleza, uma meninada jogada no fundo de um futuro infeliz, catando pelo meu engajamento que deveria sustar todo e qualquer desenvolvimento que abortasse o tempo do bem viver dos novos ibejis e erês. Inominável a atitude degradante que espolia a folia essencial. Que porvir promissor tem a meninada que deveria comigo tocar tambor, mas que agora, de maneira lamentável, labora a horas disputando os resíduos sólidos dessa cidade?
Fortaleza a gente queria mais alegria para o dia-a-dia dessa galera que desgraçadamente foi forçada a esse batente. Alegria daquelas mais utópicas que reviram os sonhos mais primários que imaginário nenhum alcança. Sonho de criança. Pergunte pra eles minha cidade ibejada, o que essa meninada mais quer, sabe o que é...pois é, imagina se seria diferente?! Um direito assegurado e cotidianamente negado. É por isso cidade agoniada, que por aqui no couro desse maracatu, a reflexão soa de dentro do coração e com garra bate tinindo na triangulação que toca, sente e sua por quem está na rua. São histórias muito próximas ou até mesmo de dentro da própria comunidade. Lá vão cortando a cidade a pé, as mãos que podiam está agora tocando afoxé e vadiando no boi. Daí, aqui no cortejo, a marcação estonteante dos zabumbas cede ao corte dolente e vertical do berimbau. A meninada levanta as baquetas e intuitivamente cria no ar o estandarte solidário de quem tem A MESMA ASCENDÊNCIA. Desde a capoeira-brinquedo ao maracatu que espanta degredo, o povo negro não se entregou ao medo. Os quilombos de hoje em dia empunham as mais diferentes bandeiras de lutas e, quem diria, reconhecem de longe a irmandade da periferia.
Por essas horas os pés dos meninos já vão longe...saltita daqui, saltita de lá, é um carro aperreado que quer passar. Motorizado passa rente à carroça desengonçada dos erês sem tempo para saber da dor daquela gente. Até porque o veiculo quer mais é fingir que não vê o resultado de sua divisão fecal e desigual.
Os meninos e as carroças passam o dia no sol quente apanhando papelão, papel e jornal sem tempo para sentir o batuque cabaçal, sem vivenciar no corpo qualquer TOQUE ANCESTRAL, sem saber como é que foi que por aqui chegou o boi. Em razão disso os que estão agora contentes com a gente dançando no maracatu tocam como Doum brincando no cavalo de Ogum. Já sabem da solidariedade para com os que nesse instante caminham do outro lado da cidade e merecem que por eles cantemos nossa mais bela loa de irmandade.





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